13/09/2017 | 11h01m

Operação Tendão de Aquiles

Diretor presidente da JBS é preso preventivamente em São Paulo

Wesley Batista é irmão de Joesley, que está detido desde domingo após ter se entregado

O sócio e presidente global da JBS, Wesley Batista, foi preso na manhã desta quarta em São Paulo.
O pedido de prisão é preventiva - sem data para sair- e foi expedido pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o empresário ficará preso.

Também há um novo pedido de prisão preventiva contra Joesley, que está detido desde terça em Brasília. Ele deverá permanecer na carceragem da Polícia Federal na Capital Federal até sexta, caso sua prisão temporária não seja prorrogada. Joesley se entregou no último domingo, em São Paulo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou seu pedido de prisão e suspendeu os benefícios de seu acordo de delação premiada e de Ricardo Saud, executivo da JBS. Os acordos dos outros cinco colaboradores estão mantidos. Se não houver pedido de prorrogação de temporária ou reversão para preventiva da prisão de Joesley no Distrito Federal, o empresário deve ser transferido para São Paulo, onde cumprirá esse segundo mandado de prisão.

SÃO PAULO,SP,13.09.2017:PRISÃO-WESLEY-BATISTA - Viatura transportando um dos donos da J&F e diretor presidente da JBS, Wesley Batista, após sua prisão, é vista na entrada da sede da Polícia Federal, em São Paulo (SP), nesta quarta-feira (13). A ordem de prisão preventiva, sem data para expirar, foi expedida pela 6ª Vara Federal Criminal, devido a investigação do uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro entre abril e 17 maio de 2017. (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Folhapress)
Viatura da PF que conduziu Wesley na sede da PF em São PauloFoto: Marcos Bezerra / Folhapress

A PRISÃO DE WESLEY
As ações da Polícia Federal desta quarta integram a segunda fase da Operação Tendão de Aquiles que investiga, desde junho, se os irmãos Batista se beneficiaram de seu acordo de delação para lucrar no mercado financeiro, fazendo reservas.

A prática, no mercado, é apelidada de "insider trading". Documentos apresentados pela JBS à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostram que pessoas ligadas aos irmãos Batista venderam R$ 328,5 milhões em ações da empresa durante a negociação da delação. As apurações miram o suposto uso de informações privilegiadas em transações entre abril e 17 de maio de 2017, data em que foram reveladas as primeiras informações da colaboração da empresa com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

O suposto crime na CVM não foi relatado pelos executivos da JBS no acordo de colaboração premiada. Os irmãos prestaram depoimento em julho e negaram que tenham manipulado o mercado. O caso não está relacionado à delação de executivos da empresa e está fora da jurisdição de Fachin e de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Por isso, a "imunidade" conquistada pelos delatores não é válida para esse caso e para outros além da colaboração.

TRANSAÇÕES
Segundo a PF, as investigações se dividem em dois acontecimentos.
O primeiro deles é a ordem de venda de ações da JBS na bolsa, entre 24 de abril e 17 de maio, pela FB Participações, empresa controladora do grupo. Essas participações foram compradas por parte da JBS. Com isso, as apurações apontam que a empresa manipulou o mercado e influenciou os acionistas a absorver parte do prejuízo com a "baixa" de ações, que a FB Participações teria sofrido sozinha.

O segundo evento é a "intensa compra de contratos de derivativos de dólares" entre 28 de abril e 17 de maio pela JBS, acima da movimentação usual da empresa. Com isso, o grupo lucrou com a alta da moeda americana após a revelação da delação, em 17 de maio.

Nesse caso, os irmãos podem ser indiciados por crime contra o mercado de capitais, por supostamente terem utilizado informações relevantes ainda não divulgadas ao mercado a fim de obter vantagens.
O crime está previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, que regula o mercado de valores mobiliários. A pena prevista é de um a cinco anos de prisão, além de multa de até três vezes o total que lucraram com as ações investigadas. Além dos mandados de prisão preventiva, a PF cumpriu outros dois de busca e apreensão.

O QUE DIZ A JBS
Em comunicado ao mercado, a JBS afirmou que tomou conhecimento na manhã desta quarta da prisão de Wesley Batista, diretor presidente do grupo, e que ainda não teve acesso à íntegra da decisão. A empresa também divulgou que manterá os "seus acionistas e o mercado devidamente informados" sobre o mandado de prisão.

A respeito da prisão de Wesley, o advogado Pierpaolo Bottini afirmou: "É absurda e lamentável a prisão e o inquérito aberto há vários meses em que investigados se apresentaram para dar explicações. Mais uma vez o Estado brasileiro é desleal com quem colabora com a Justiça".