04/09/2017 | 14h03m

Coluna Vida e Saúde

O significado da amizade na adolescência

Colunistas aborda como os pais podem evitar o conflito com os amigos e se tornarem mais próximo dos filhos

Quando os adolescentes pronunciam a palavra amizade, na verdade não têm a dimensão exata do que ela significa. Na vida, poder contar com a amizade de alguém é algo muito precioso. É só parar para pensar em alguma situação em que um amigo se fez presente e teve um papel importante, significativo. Com certeza nos daremos conta de que essa amizade foi necessária e fundamental.

 Com os adolescentes acontece o mesmo, porém é sentido com mais intensidade. A amizade para os adolescentes é bastante significativa, e o seu significado é representado pelo companheirismo e cumplicidade que se desenvolvem devido às trocas de confidências, aos relato de intimidades, aos problemas familiares, ás brigas, às descobertas sexuais, etc.

Foto: pixabay / Pixabay

Nessa fase, os ouvidos atentos dos amigos acolhem cada detalhe, sem recriminação e sem repressão. Os amigos dos adolescentes são seus "comparsas", e é aí que está a diferença na relação que se estabelece entre os adolescentes e seus pais e entre os adolescentes e seus amigos. É por causa dessa falta de cumplicidade e companheirismo que muitos pais "perdem"seus filhos na adolescência. Isso ocorre porque não sabem escutar sem recriminar, sem reprimir, fazendo prevalecer apenas o lado de autoridade que recrimina e reprime, deixando o lado de amigo para outro.

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Dentro de um processo de desenvolvimento saudável, as amizades fazem parte, são necessárias, fundamentais e, principalmente no período da adolescência têm um peso maior porque levam os adolescentes a entrar num processo de identificação com as suas amizades.

Uma das preocupações dos pais em relação às amizades dos filhos é a de que esses possam ser levados para o "mau caminho". Na versão de alguns pais, o "mau caminho" é aquele pelo qual os amigos, ao exercerem uma forte influência nas idéias, induzem os adolescentes. Essa influência culmina em comportamentos reprovados pelos pais já que " batem de frente" com os valores morais passados por eles para os filhos.

Quando esse tipo de influência é flagrada, os pais tentam mostrar aos adolescentes que eles podem estar sendo vítimas dessa amizade. O desespero que sentem, por estar percebendo isso, faz com que exponham o assunto para os adolescentes de maneira inadequada, criando confusões, mal-entendidos e desajustes.

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Em primeiro lugar, os pais devem se colocar na posição dos adolescentes para poder entendê-los com mais propriedade, já que estão com o objetivo em mente de alertá-los sobre as más companhias. Desta forma, os pais tentarão evitar o perigo que os adolescentes correm de se tornar "Maria vai com as outras".

Quanto mais perto estivermos dos amigos dos adolescentes, dos pais dos seus amigos, da sua turma, dos lugares que frequentam etc., mais subsídios teremos para argumentar sobre a conveniência ou não dessas amizades.

Uma "arma" que os pais possuem nessa luta são os dados reais e, com eles, promover o diálogo. Mas não basta tê-los, tem que saber usá-los. Quando os pais não usam dados de realidade, fazem observações baseadas em suposições, no que ouviram de outras pessoas, mas não na sua própria conclusão.

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Os pais devem usar, preferencialmente, exemplicações concretas, para que através delas, os adolescentes pensem, questionem, reflitam. Se os pais conseguirem colocar uma pontinha de dúvida sobre tal amizade na cabeça dos adolescentes, isso poderá fazer com que eles se questionem e observem melhor ao seu redor.